O dia que vi o mar
Uma página do livro da minha vida se chama Copacabana. Este era também o nome do ônibus dentro do qual entrei disposto a chegar a algum lugar que tivesse a tão famosa água salgada. Ao sentir a brisa da maresia, percebi que este era apenas um detalhe a mais que se juntaria aos pés descalços na areia, ao camarão frito, à pele bronzeada e à sombrinha em plena alta temperatura da cidade. “Cidade Maravilhosa!”, exclamei dentro de mim, com a certeza de que o nome Rio, dali em diante, significaria um pouco mais além do estigma de lugar mais perigoso do país. Estava ali, mas o mundo estava logo ali, para além daquele horizonte azul. “Mundo, mundo, vasto mundo”. Drummond certamente não disse isso pensando em Itabira. Itabira? Era apenas “uma fotografia na parede”. Como não poderia deixar de ser? Qualquer Itabira diante daquele mundo de água seria relegada a ficar pendurada na parede da memória.
A Avenida Atlântica, que só conhecia no Banco Imobiliário, agora não passava de um obstáculo de quatro pistas para se chegar à praia. Uma estátua daquele poeta conterrâneo, cravada no calçadão da orla, me fez sentir em casa. Bom seria mesmo que aquele lugar fosse a minha casa. Morar diante daquela imensidão anil, cuja semelhança com o céu da minha terra provocou em mim o esquecimento de que um dia ela fora privada de ter seu próprio mar, seria o sonho de qualquer pessoa com consciência de sua condição humana. Sabe aquele sentimento de que a gente nasce, cresce e morre? Diante do mar isso não existe. A eternidade mora ali, no infinito, no oceano. Naquele lugar, onde se esquece de que a vida está de costas para ali. Deve ser por isso que o cidadão mais ilustre da minha cidade foi morrer de frente para aquelas águas. Ele nunca morreu. Lá está até hoje! Se eu tivesse de escolher um lugar para morrer... Ah, deixa isso pra lá!
A Avenida Atlântica, que só conhecia no Banco Imobiliário, agora não passava de um obstáculo de quatro pistas para se chegar à praia. Uma estátua daquele poeta conterrâneo, cravada no calçadão da orla, me fez sentir em casa. Bom seria mesmo que aquele lugar fosse a minha casa. Morar diante daquela imensidão anil, cuja semelhança com o céu da minha terra provocou em mim o esquecimento de que um dia ela fora privada de ter seu próprio mar, seria o sonho de qualquer pessoa com consciência de sua condição humana. Sabe aquele sentimento de que a gente nasce, cresce e morre? Diante do mar isso não existe. A eternidade mora ali, no infinito, no oceano. Naquele lugar, onde se esquece de que a vida está de costas para ali. Deve ser por isso que o cidadão mais ilustre da minha cidade foi morrer de frente para aquelas águas. Ele nunca morreu. Lá está até hoje! Se eu tivesse de escolher um lugar para morrer... Ah, deixa isso pra lá!
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