Osso catártico
Mal chego em casa, lembro de domingo, quando conversava com o senhor Geraldo. Homem de mais de oito dezenas de anos, ele foi um dos 200 mil torcedores cujo grito fora silenciado no Maracanã na decisão da Copa do Mundo de 1950. Lá, como se sabe, o Brasil amargou uma das piores derrotas de sua história, perdendo em casa por 2 a 1 de seu vizinho Uruguai. Esse osso na garganta incomoda até hoje.
Incomodava. Agorinha mesmo ele foi arrancado, pelo menos da minha. A seleção verde-e-amarelo não deixou os mais de 80 mil exaltados brasileiros, balançando as bandeirinhas de plástico à toa. Verdade seja dita: estava todo mundo com medo de voltar para casa arrependido de ter pagado ingresso para manter o tal do histórico osso futebolístico goela adentro. Ainda bem que não foi assim.
As famigeradas vaias que Lula ouviu no mesmo lugar do jogo foram convertidas em aplausos para os cinco gols marcados pelos arrancadores de osso mais famosos e bem pagos do mundo. O Equador foi a vítima mais disposta a estragar a catarse do já arquetípico osso. Pressionou o tempo todo. Só parou quando se viu no ridículo de ouvir “olé” cada vez que os jogadores brasileiros tocavam a bola. Afinal, o osso tinha de ser jogado em alguma garganta, que, não fosse na uruguaia numa final de Copa do Mundo, pelo menos seria na primeira que se candidatasse a engoli-lo. O goleiro, coitado, ficou até com a dívida de levar do Maracanã, que já foi o maior estádio do mundo, não apenas um osso de lembrança, mas também um frango.
Mas, vocês me dão licença, porque minha garganta precisa descansar depois de agüentar tanto tempo um osso que ora se torna catártico.
Incomodava. Agorinha mesmo ele foi arrancado, pelo menos da minha. A seleção verde-e-amarelo não deixou os mais de 80 mil exaltados brasileiros, balançando as bandeirinhas de plástico à toa. Verdade seja dita: estava todo mundo com medo de voltar para casa arrependido de ter pagado ingresso para manter o tal do histórico osso futebolístico goela adentro. Ainda bem que não foi assim.
As famigeradas vaias que Lula ouviu no mesmo lugar do jogo foram convertidas em aplausos para os cinco gols marcados pelos arrancadores de osso mais famosos e bem pagos do mundo. O Equador foi a vítima mais disposta a estragar a catarse do já arquetípico osso. Pressionou o tempo todo. Só parou quando se viu no ridículo de ouvir “olé” cada vez que os jogadores brasileiros tocavam a bola. Afinal, o osso tinha de ser jogado em alguma garganta, que, não fosse na uruguaia numa final de Copa do Mundo, pelo menos seria na primeira que se candidatasse a engoli-lo. O goleiro, coitado, ficou até com a dívida de levar do Maracanã, que já foi o maior estádio do mundo, não apenas um osso de lembrança, mas também um frango.
Mas, vocês me dão licença, porque minha garganta precisa descansar depois de agüentar tanto tempo um osso que ora se torna catártico.
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