5.5.09

O que faz um bom professor? Minha resposta

Ensinar está longe de ser um trabalho simples, apesar de que levar alguém a aprender alguma coisa não é um privilégio só de quem possui uma licenciatura — por exemplo, quem nunca precisou ensinar alguém, ou ser ensinado, a chegar a um lugar desconhecido? O problema aqui é outro: seria possível uma lição sobre como ensinar bem? Ora, que nenhum aluno considere o rígido professor Girafales a figura exemplar de um bom professor não parece novidade alguma, mas a coisa se complica quando quem ensina não sabe o que fazer para chegar perto pelo menos do professor Pardal, que é amigo de todo mundo. Mas, alguém pode se perguntar, amizade também não tem o seu limite assim como a rigidez com a qual se deve tratar a turma?

Ser professor pode até envolver características que pareçam díspares. No entanto, de modo algum isso significa que não seja possível visualizar um perfil esperado para tal profissão. E por falar em extremos, por que não dizer que um bom professor preza pelo equilíbrio? O bom professor não é aquele que chega com o conhecimento pronto e quer despejar nos estudantes, exigindo decoreba; por outro lado, muito menos ele deve ser alguém relapso com o conteúdo das aulas, que se arrisca nas armadilhas do imprevisto.

O bom professor é capaz de desenvolver estratégias para que seus educandos aprendam. Isso por certo inclui a sensibilidade de identificar o conhecimento prévio que cada um deles traz para a sala de aula. A ideia é que o saber pode ser construído em uma parceria docente-discente, onde quem aprende é estimulado o tempo todo a participar da aula. Do lado de quem ensina, as perguntas têm um papel fundamental neste processo. Afinal, o objetivo não é a quantidade de informações que é passada, mas a qualidade do aprendizado.

Uma orquestra precisa de um maestro e o professor ocupa este papel ao lecionar, pois possibilita que cada aluno desenvolva seu potencial de modo harmônico. Ser um bom professor, portanto, é ter consciência de que não se ocupa um papel de protagonista, mas de regente. Equilíbrio é uma palavra-chave para identificar as necessidades desta profissão, sobretudo quando se aprende que ensinar não é ficar só do lado de lá das carteiras.


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7 Comentário(s):

  • At 5 de maio de 2009 10:49, Blogger Cleinton Gael said…

    Estou tentando ser um bom professor, fanuel. mas confesso que não é tão simples como os manuais de licenciatura me ensinavam, quando do momento da graduação. de toda sorte, a gente vai "apanhando" e aprendendo dentro da própria sala de aula, não é assim? abraço grande, cara.

    liberdade, beleza e Graça...
    http://cleintongael.blogspot.com

     
  • At 7 de maio de 2009 08:16, Blogger Tamara Queiroz said…

    Que sensível consciência, Fanuel.

    Eu tenho certeza que você encontrará o equilíbrio, mesmo sendo árduo. Aliás, já posso vê-lo.


    Um beijo,

    Tamara Queiroz

     
  • At 8 de maio de 2009 14:06, Blogger Peroratio said…

    Não creio em ensino. Creio em aprendizado. Se o aluno quer, irá aprender - mesmo se lhe põem uma anta à frente. Se não quer, nem Paulo Freire há de dar jeito.

    Didáticas há de fazer do professor animador de auditório. Tenho suspeitas. Está-se na moda da mídia - dos animadores de auditório: também na educação.

    Bom, e raro, é quando se encontram quem está ávido de aprender e quem tem como ajudar. Tive um momento assim, quando tive Haroldo Reimer por professor. Havia tido momentos nessa direção, antes, com Élcio Sant'anna, por exemplo. Na condição de professor, não sei se tive momentos assim.

     
  • At 11 de maio de 2009 10:24, Blogger Marlene Maravilha said…

    Já está tudo tao completo, que nao tem o que acrescentar que nao fique uma mesmice. Assim sao os teus textos. Sempre muito completos. Bom, muito bom Felipe, como sempre! Cheio de lógicas e cuidados.
    Um carinho grande e Deus te abencoe dando uma semana de gracas!!

     
  • At 14 de maio de 2009 18:07, Blogger ~*Rebeca e Jota Cê *~ said…

    Adorei!

     
  • At 24 de maio de 2009 16:57, Anonymous Edson Marques said…

    Felipe,

    Belíssimo teu texto!

    Também arisquei-me a falar do assunto em:

    http://www.edmalux.blogspot.com/2005_09_21_archive.html

    Deixo o link no nome.

    Abraços, flores, estrelas..

     
  • At 12 de dezembro de 2010 17:38, Anonymous Fabiana said…

    Oi, Felipe!
    Também não sei a resposta, mas me solidarizo com a dúvida e a busca para um trabalho bem feito pois também sou professora.

     

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