10.11.08

Sem Obama

Acho oportuno exclamar: Que vergonha para o Brasil! Apesar de nossa população afrodescendente ser bem maior que a dos Estados Unidos, estamos longe de ter um Obama concorrendo à presidência em 2010. Sem dúvida, nosso tabu racial ainda não foi quebrado, o que, por conseguinte, significa reconhecer que a mudança ainda não chegou, pois, diferente do que ora se observa naquele país, as oportunidades aqui não são para todos-inclusive-os-negros — vocês sabem, isso não é redundância. Quero, assim, lamentar, sentindo as dores de minha mãe África, que pouco se pode esperar do fato de já sermos um país de maioria negra além do aumento do número de bandidos.

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9 Comentário(s):

  • At 10 de novembro de 2008 08:31, Blogger Roger said…

    É mesmo lamentável, Filipe,

    o racismo no Brasil não foi tão cruel como nos EUA, mas como tudo no Brasil, é cultivado de forma suave, não radical, duradoura, mascarada e malígna.

    Creio que a Vitória de Barack, de Evo Morales, e por que não dizer, Lula, são passos importantes para mostrar para a oligarquia branca européia que o colonialismo finalmente acabou.

    Estamos entrando em uma nova era. E o Brasil em breve também chegará lá plenamente!

    Abraços,

    Roger

     
  • At 10 de novembro de 2008 08:55, Anonymous Denise said…

    é difícil fazer tais comparações. temos um lula que vangloria a própria imbecilidade, afirmando inclusive seus descaso para com os livros. e temos obama, formado em harvard, negro, presidente de uma nação cujos conceitos essenciais de meritocracia não se encaixam à realidade brasileira.

    obama foi eleito por ser negro? talvez tenha ajudado, porém além de negro, o indivíduo é um intelectual que subiu a harvard não pela ajuda governamental, mas por esforço próprio. compará-lo às figurinhas revolucionárias do sul é uma afronta ao futuro presidente.

    abçs

    denise

     
  • At 10 de novembro de 2008 09:25, Blogger Gustavo Nagel said…

    Felipe,

    Só haveria algum sentido em chamar os negros brasileiros de «afrodescendentes» se chamássemos os brancos brasileiros de «eurodescendentes» e os caboclos brasileiros de «indiodescendentes». Além disso, o Brasil só tem uma «maioria negra» porque conta como negras pessoas que, rigorosamente, não o são: nomeadamente eu e você. Somos mestiços. Se contamos como negros, podemos contar, também, como brancos. Se não contamos como brancos, não podemos ser contados como negros. O mesmo caso é o do Obama. Metade da família do Obama é tão branca quanto a outra metade é preta. Obama é, portanto, o primeiro presidente «mulato» dos EUA. Ademais, nós, brasileiros, temos um presidente nordestino. E semi-analfabeto. Orgulhosamente semi-analfabeto. Obama é mulato, mas é formado em Harvard. Nós elegemos e reelegemos um nordestino semi-analfabeto. Percebes o que é isso? Acho que estamos mais avançados na quebra de paradigmas que eles, os americanos. Não achas?

    Abraços.

     
  • At 10 de novembro de 2008 10:28, Blogger Rubinho Osório said…

    Eu ia dizer algo, mas... "me passou". Fico com o comentário do nosso amigo Nagel. E mesmo Caetano, que referiu a Obama como o "candidato mulato". De minha parte, não votaria no Maluf por ser "branco", tanto quanto não o faria no Pitta, por ser "negro". Não voto neles por serem "nefastos". Cor e cultura aí não fazem a mínima.

     
  • At 10 de novembro de 2008 11:06, Blogger Roger said…

    Denise,

    me permita justificar-lhe minha comparação:

    O fato de que a minoria branca européia detêm tradicionalmente, em todo continente americano, as três fontes básicas de poder, a saber, riquezas, saber e força não é novidade.

    O milagre é justamente uma pessoa oriunda de etnias que tadicionalmente não possuem riquezas, nem o saber e nem força venha alcançar o mais alto cargo político de uma nação.

    Para mim está claro que estas três figuras (revolucionárias) tem algo muito em comum em seus discursos: uma tendência socialista, mas democrática, radicalmente contra a concentração de renda e a favor de sua redistribuição.

    Se não fosse o crescimento vergonhoso dessa concentração da renda em mandatos anteriores, e o apelo "socialista" destes políticos frente às massas, certamente nenhum deles seria eleito, nem mesmo o Obama com todo seu intelectualismo.

    abrçs,

    Roger

     
  • At 10 de novembro de 2008 16:26, Anonymous Denise said…

    roger,

    há diferenças irrevogáveis entre a efetiva diferenciação do poder, saber e riqueza quando um indivíduo se vale pela intelectualidade evidente. o milagre de figuras apedêutivas ressurgirem das cinzas (isto demonstrado na am. latina com lula, evo, lugo, rafael correa, chavez) distorce o que de fato ocorreu, há poucos dias, na eleição de um cidadão que preza por justo desenvolvimento intelectual a própria intelectualidade (o que foi visto nos debates, aliás pouco assistidos).

    utilizar obama como parâmetro revolucionário é tê-lo contraditoriamente àquilo que se observa em terras latinas, não obstante devastada pela obstinada idéia do proletário marxista, ainda subjugados à revolução pela foice.

    não devemos nos enganar quanto à valorização da intelectualidade nos eua: um semi-analfabeto não pisa nos salões dos chefes do poder executivo. e por isso afirmei que compará-lo a tais figuras seria uma afronta.

    abçs

    denise

     
  • At 10 de novembro de 2008 17:16, Blogger Roger said…

    Querida Denise,

    concordo plenamente contigo que o Barack é uma pessoa super inteligente e acamdemicamente super bem preparada. Mas muito mais do que isso!

    Certamente em uma nação de primeiro mundo como os USA (29 no Ranking PISA) os padrões culturais são outros. Já se foi o tempo quando um Abraão Lincon, somente com 18 meses de estudos formais chegava à presidência. O Brasil (52 do Ranking Pisa, perdendo só para Colômbia, Tunísia, Kirquistão, Catar e Aserbaidschan) possui evidentemente outros padrões...

    Nesse sentido, sob esse aspecto, acho que a afronta é querer comparar-nos com os USA! Pude acompanhar boa parte da tragetória de Lula e pude constatar que ele possui outros predicados superiores a títulos acadêmicos (apesar de suas imperfeições).

    Todavia a comparação feita por Felipe é bem razoável, pois como o post mesmo destaca, somos uma nação de maioria negra (ou como Nagel queira: maioria mestiça)! Onde está esta gente toda, jogando futebol, dançando samba ou música baiana? Não. Alguma coisa está muito errada.

    Saudações fraternas,

    Roger

     
  • At 12 de novembro de 2008 11:58, Anonymous edson marques said…

    Felipe,


    Eu considero a eleição de Obama, não só pelo fato em si, mas pela repercussão positiva em todos os níveis, a coisa mais importante deste início do século 21!


    E teu comentário deixado no blog Mude anteontem ("Acredito que Deus une um casal de humanos como une um casal de pássaros: para voar.") está perfeito!



    Abraços, flores, estrelas..

     
  • At 12 de novembro de 2008 18:20, Blogger Alysson Amorim said…

    Caro Felipe,

    O engano comum, cometido mesmo por nossas mentes mais brilhantes, é enxergar em nossa tendência a mestiçagem uma ausência de racismo.

    Nosso racismo é sutil e sua raiz é finíssima; tão fina que suga silenciosamente quantidade considerável de nutrientes desse nosso solo escandalosamente prenhe de possibilidades.

    Na América as raízes sempre foram largas e ofensivas: na América era possível ter o sonho de arrancá-las sem ser considerado louco.

    Um abraço caloroso.

     

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