12.6.07

Ciência e religião

O cientista não estaria, em suas atividades, ocupando o lugar de Deus? Essa popular pergunta já leva o famoso debate fé e saber para uma relação de confronto entre ciência e religião. Essa maneira antagonista de enxergar tanto um como o outro tem influenciado os debates populares sobre o assunto, em que pese este conflito não ser tão intenso entre muitos estudiosos.

A origem deste embate pode ser interpretada como uma questão cultural, pois o conhecimento científico seria um recurso cultural construído e desenvolvido por alguns grupos sociais com vistas a determinados interesses e objetivos. Isso explicaria a competição entre o clero e os cientistas profissionais na sociedade inglesa do século XIX. Na era vitoriana, novos grupos intelectuais emergentes buscavam substituir os antigos.

Na verdade, todos os conflitos entre religião e cultura estão baseados na identificação da religião como religião no mais estreito sentido, ou seja, religião como um mero pedaço de cultura que reivindica ser mais que cultura e, portanto, irrompe o conflito com outras realidades culturais, tais como a ciência. Embora a religião seja a substância da cultura, é a própria cultura que é a forma da religião. O ambiente é mais favorável a diálogo do que a confronto.

Dialogar significa uma troca de idéias autônomas. Afinal, da mesma maneira que a ciência não pode se intrometer nos interesses da fé, não cabe à religião interferir nos assuntos científicos. É importante que cada uma entenda bem o seu lugar.

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12 Comentário(s):

  • At 12 de junho de 2007 12:39, Blogger Daniel Feitoza e Silva said…

    Fanuel,

    Qual seria o ponto de interseção entre ciência e religião onde se poderia dar o debate, já que uma não deve se intrometer nos assuntos da outra?

    Abs.

     
  • At 12 de junho de 2007 12:55, Blogger Felipe Fanuel said…

    Caro Daniel,

    Em primeiro lugar, quero agradecer pela ilustre visita.

    Boa pergunta essa! Eu arriscaria dizer que não há ponto de interseção, mas um ponto de diálogo, que é a cultura. A ciência tem seus limites culturais, os quais são transcendidos pela religião. A religião se pretende — e é — formadora de cultura. Ou seja, são objetivos diferentes. Neste sentido, é impossível algum cruzamento.

    Quando o explicável se cala, o inexplicável entra em cena. A gente precisa dos dois. Cabe à criatividade científica e à teológica lidar com essa realidade, sabendo que as discussões de uma podem até contradizer as discussões de outra. Isso é autonomia de idéias!

    Aí sim há uma mesa propícia ao diálogo, pois nenhuma cadeira será maior que a outra. Haverá apenas diferentes perspectivas que enriquecerão as interpretações do mundo em que vivemos.

    Ciência e religião são, portanto, extremamente importantes na construção e formação da pessoa humana.

    Aquele abraço, amigo!
    Volte sempre.

     
  • At 12 de junho de 2007 14:06, Blogger Alysson Amorim said…

    Amigo,

    (não adianta exigir o título de pastor, não me acostumaria... rsrs)

    Penso que se suas palavras fossem levadas a sério, se religião e ciência ocupassem os lugares adequados na mesa do diálogo (como na metáfora da resposta ao Daniel) ao invés de se arvorarem em dar conta de toda a relidade, em inconcebíveis espamos de arrogância (tão comuns entre teólogos e cientistas), penso que assim daríamos um passo capital rumo a humanização tanto da ciência quanto da teologia.

    Aliás, dois homéricos desafios do mundo contemporâneo.

    Esclarescedor o post. Melhor ainda o comentário anterior.

    Uma semana coberta pela graça do Pai.

    Abs.

     
  • At 12 de junho de 2007 16:35, Blogger Daniel Feitoza e Silva said…

    Valeu! Satisfeito com a resposta.

     
  • At 12 de junho de 2007 17:32, Anonymous Edson Marques said…

    Felipe,

    Teus textos favorecem a reflexão.

    Estudei Filosofia. E tive uma formação intelectual marxista. Tive (?) que me tornar um materialista dialético.


    Hoje não sou mais.

    Só que não mais sei o que sou.

    Mas vejo (e sinto) a Religião de outra forma.

    Um dia falarei sobre isso.

    Abraços, flores, estrelas..

     
  • At 13 de junho de 2007 14:03, Blogger Andreia do Flautim said…

    Religião é uma coisa ciência é outra, não tem nada que enganar!

     
  • At 13 de junho de 2007 15:43, Blogger Marlene Maravilha said…

    Também acho que é melhor não misturarmos as duas. Cada uma por si. Não imaginas como a medicina tem um ponto de interrogação com a minha cura! Seria uma conversa longa, e quem sabe um dia!
    beijos e fica na paz do Senhor!

     
  • At 14 de junho de 2007 08:10, Blogger O Lobo said…

    "Cada macaco no seu galho" diz-se por aí... A ciência pode explicar muitos fenómenos (não todos) mas a força que nos move não é a ciência... Não é a ciência que nos mostra o bom que pode ser um homem!
    Sou um homem de ciência, realmente o sou mas não é ela que me mostra o verdadeiro potencial do ser humano, isso é a religião que me dá; não é o Einstein que me conforta qundo algo corre mal, são os anjos huamnos que por aqui passam e esses de ciência têm muito pouco ;)

     
  • At 14 de junho de 2007 16:53, Blogger Janete Cardoso said…

    Não é possível cruzá-las!
    Cada uma defende um ponto de vista: material e espiritual.
    Mas uma coisa é verdade: o que a ciência não consegue explicar, a religião, consegue!
    Beijo!

     
  • At 15 de junho de 2007 01:43, Blogger Felipe Fanuel said…

    Caros Amigos e caras Amigas,

    Vocês completaram brilhantemente tudo aquilo que foi dito na postagem.

    Mais uma vez, agradeço pela participação de todos e todas.

    Marlene,
    Já tinha lido algo sobre sua história no seu blog, mas espero um dia ainda conversarmos um pouco sobre isso.

    Lobo,
    Gostei da citação de um ditado tupiniquim.

    Abraços para eles,
    Beijos para elas.

     
  • At 18 de junho de 2007 13:02, Blogger Nagel said…

    Este comentário foi removido pelo autor.

     
  • At 19 de junho de 2007 15:39, Blogger Felipe Fanuel said…

    Nagel,

    Sorte minha ter lido seu comentário antes de vc deletá-lo.

    Queria poder conversar mais sobre isso, mas acabei comentando lá no seu blog.

    Volte sempre amigo!

     

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