4.3.07

Agostinho e o sexo

O pensador africano Aurélio Agostinho (354-430) é o único escritor da igreja primitiva que revelou sua vida sexual através de sua obra autobiográfica denominada Confissões. Reconhecido como um livro clássico cristão, este escrito nos permite vislumbrar suas experiências com o sexo, vividas quando rapaz, e suas concepções da relação entre a sexualidade e a sociedade, formuladas já na sua meia-idade.

Disposto a abandonar a vida sexual ativa, Agostinho escreveu Confissões com o intuito de transmitir um sentimento contrastante entre suas necessidades sexuais e o seu anseio por relações límpidas e não problemáticas. Agostinho acreditava que sexo e sociedade eram opostos. Por isso, somente uma igreja verdadeira, composta de eleitos continentes, tornaria possível uma sociedade verdadeira, resultando numa harmonia de almas libertas da matéria. Nem mesmo a relação sexual praticada com o fim de gerar filhos era considerada como boa, visto que “colaborava com a impetuosa expansão do Reino das Trevas, em detrimento da pureza espiritual associada ao Reino da Luz”. Para o bispo de Hipona, os impulsos sexuais constituíam uma marca da fragilidade herdada pela humanidade no ato inicial de desobediência de Adão, pois estes escapavam ao controle da vontade humana.

Embora respondesse ao seu tempo e à sua própria realidade, as formulações de Agostinho notadamente influenciaram o legado sobre sexualidade deixado pela era medieval. O desejo sexual, reconhecido por ele como um incômodo problema, i.e. uma força destrutiva, ainda continua nos dias atuais sendo visto como nocivo a uma vida santa e pura.

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19 Comentário(s):

  • At 5 de março de 2007 12:22, Blogger Paulo Sempre said…

    É preciso coragem!!!! falar da sexualidade....
    Abraço

    Paulo

    Portugal

     
  • At 5 de março de 2007 21:14, Blogger Alysson Amorim said…

    Grande Felipe,

    Instigante.

    Incrível como a filosofia de Agostinho ainda ressoa entre nós com uma força assustadora, e o que é pior, como somos incapazes de colocá-la em seu devido lugar.

    Posso estar errado, mas não percebo absolutamente nenhuma evolução na postura da Igreja em relação ao sexo. Algo tão natural e belo nos provoca um medo inexplicável. Fugimos da questão da sexualidade e com esta postura, penso eu, estamos contribuindo indiretamente (ou seria diretamente?) com todo este processo da vulgarização do sexo.

    Afinal, se a Igreja não quer dar um conteúdo ao sexo há quem esteja ansioso por fazê-lo.

    Abração. Força pra sua semana.

     
  • At 6 de março de 2007 00:58, Blogger Marlene Maravilha said…

    De total acordo com o comentário do
    alysson amorim. Não acho difícil comentar sobre sexo, o que acho impossível é desdobrar opiniões descabidas.
    abraços

     
  • At 6 de março de 2007 08:34, Blogger Papoila said…

    Ola passei para te deixar um doce bjinho,
    Papoila Sonhadora,

     
  • At 6 de março de 2007 13:33, Blogger Felipe Fanuel said…

    Paulo,
    Obrigado por postares tua opinião aqui.

    Certos assuntos realmente nos demandam coragem, talvez, nem tanto pelo tema, mas pela histórica celeuma que existe em torno de algo que hoje conseguimos conversar mais livremente.

    Volta sempre!


    Alysson,
    Depois fala dos meus comentários... Vc bem que tem a pena assaz afiada, rapaz! (Hahaha) Digo o mesmo: “Vale uma postagem”!

    Pois é! O velho Agostinho está mais vivo do que nunca, pregando aquilo que no seu tempo fazia sentido, mas que, nos nossos dias, soa como um mero moralismo, vago e sem sentido.

    Seu argumento foi insigne quando disse que, ao pensarmos assim, estamos contribuindo para o processo de vulgarização do sexo. Absolutamente! Se a igreja foge do sexo, ou o mantém como tabu, está deixando uma lacuna enorme que só pode ser preenchida por um senso comum menos comprometido em construir do que destruir.

    Excelente, amigão!


    Marlene,
    Sim! Há opiniões por demais engessadas que parecem impossíveis de serem desconstruídas — o que é diferente de destruídas.

    Beijos.


    Papoila,
    Obrigado pelo carinho.
    Beijo.

     
  • At 6 de março de 2007 19:28, Anonymous Edson Marques said…

    Felipe,

    vou procurar ler as Confissões do Agostinho. Veremos.


    Gostei de saber que você é "aluno da professora Vida"!

     
  • At 6 de março de 2007 20:12, Blogger Dara Martins said…

    sexo - coragem, coragem - sexo...
    Pessoas...

    Beijinho,
    DARA

     
  • At 6 de março de 2007 20:55, Blogger elsa nyny said…

    Olá Felipe!!!
    Pois...esta questão é meio complicada!
    Eu acho que sexo por amor, é normal, e natural!
    A questão religiosa baralha tudo!
    Gostei de ler e as Confissões, conheço excertos, acho que vou ler tudo!!

    beijinhos!
    :)

     
  • At 7 de março de 2007 09:06, Blogger Fallen Angel said…

    Bem Felipe... só me resta contrariar o Agostinho e desejar tudo menos uma vida santa e puro..

    ( raios.. sou mesmo um devasso...)

    Abraço. :-)

     
  • At 7 de março de 2007 12:37, Blogger Felipe Fanuel said…

    Edson,
    Vai ser um prazer ouvir suas impressões de leitura desta autobiografia agostiniana.

    Gostou? ...Acho que estudamos na mesma classe. (hahaha)

    Abraço.


    Dara, minha cara (até rimou!)
    Ótima percepção! Há uma relação existencial entre sexo e coragem, vivida por pessoas que, por seu turno, são marcadas por outras pessoas.

    Um beijo.


    Elsa, olá!
    Sim! É justamente a herança agostiniana que nos faz ver conflito entre religião e sexualidade. Na verdade, há uma forte influência moral deste pensamento de Agostinho que nos impede de conciliar a visão de que “sexo por amor é normal” com nossas crenças.

    Certamente farás uma ótima leitura das Confissões.

    Beijinhos.


    Fallen,
    Não estás só na tua declaração entre parênteses. Do ponto de vista agostiniano, pouca gente se salva, pois seu critério para uma vida santa e pura é a virgindade. Além do mais, a doutrina da depravação humana — mais apreciada pelos protestantes que, não sei por que, são moralistas na prática — coloca todo mundo como “farinha do mesmo saco”, como diz o ditado popular. Ou seja, não há santos, há depravados.

    Forte abraço.

     
  • At 8 de março de 2007 09:47, Blogger Andreia do Flautim said…

    Não conhecia essa parte de s. Angostinho!

     
  • At 8 de março de 2007 10:41, Blogger António Rosa said…

    Depois de ter terminado com o "Postaias da Novalis" para me dedicar mais à astrologia, tenho aproveitado este tempo para desenvolver mais os conceitos evolutivos dos signos do zodíaco, como base elementar desta nossa reencarnação.

    Aqui fica o convite para conhecer melhor o signo onde está o seu sol de nascimento, assim como o dos seus familiares e amigos.

    Copie-os para o word, para melhor poder reflectir sobre o signo mais importante do do seu zodíaco.

    Agradeço comentários no sentido de melhorar os textos, aprofundando-os.

    Um abraço,

    António Rosa

     
  • At 8 de março de 2007 11:02, Blogger Felipe Fanuel said…

    Prezada Andreia,
    Há muitos lados desconhecidos em Agostinho.


    António,
    Obrigado pelo convite.

     
  • At 8 de março de 2007 15:26, Blogger elsa nyny said…

    Miguito!!!!

    tenho um desafio p a ti no - eu estiu aki - !

    beijinhos!
    :)

     
  • At 8 de março de 2007 16:45, Blogger O Lobo said…

    Este comentário foi removido pelo autor.

     
  • At 8 de março de 2007 16:46, Blogger O Lobo said…

    Obrigado por nos informares mais acerca de Sto agostinho...
    Conhecia uma pequeníssima parte da história dele mas nunca soube a real implicação dele nos dias de hoje ...

     
  • At 8 de março de 2007 19:14, Blogger Felipe Fanuel said…

    Elsa,
    Passarei lá.

    Lobo,
    Por nada! Obrigado a ti por passares aqui e postares tua opinião.

    Um abraço.

     
  • At 30 de março de 2007 16:30, Blogger Daniel said…

    Acho que a "Neuza Mandioca", do movimento de batalha espiritual e dos "atos patéticos" leu o Agostinho... ouvi dizer que estão pregando contra o sexo para o prazer, mas somente para a procriação como "papai e mamãe"(quem leia, entenda).
    Abraço,

     
  • At 3 de abril de 2007 10:17, Blogger Felipe Fanuel said…

    hahaha

    Oi Daniel,
    Realmente esse tipo de pensamento perdura até hoje.

    Rapaz,
    Obrigado pela visita!

     

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