19.3.08

Que todos sejam um

A antiga idéia de uma igreja para todo o mundo sempre fez com que a fé cristã fosse um nascedouro de ideais de unidade. O elemento de catolicidade ou universalização dos cristãos e cristãs é uma evidência de que esta religião, apesar de sua instituição ser historicamente fechada, sempre manteve, ainda que por meio de pessoas não-autorizadas, aquele ideal de que é possível ser um. Como cristandade, sonhar com a unidade pode parecer uma ilusão distante de ser realizada, às vezes, uma visão utópica ou até moribunda, porém não se pode negar a existência recorrente de pessoas cristãs que não sabem e não querem viver isoladas em sua fé, mas estão dispostas a compartilhar e aprender com outras confissões, congêneres ou não. Isso só é possível através de experiências do dia-a-dia, fora do âmbito das instituições, onde homens e mulheres podem dialogar, se deixando serem vistos pelos outros com os quais aprendem.

Talvez seja aqui, na vida dos sujeitos, religiosos ou não, que o verdadeiro diálogo acontece. Afinal, cada vez mais, as pessoas descobrem sua própria maneira de vivenciar a fé, dependendo sempre menos das orientações institucionais. O futuro da unidade cristã e do diálogo com as outras religiões depende, portanto, da gente simples que vivencia a religião num cotidiano marcado pelas peculiaridades de cada um.

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3 Comentário(s):

  • At 19 de março de 2008 11:43, Anonymous Edson Marques said…

    Felipe,

    fui inicialmente batizado (à força... rs!) na Igreja Católica. E, de certo modo, permaneço nela. Por isso posso me arriscar a dizer: Será que, por talvez excesso de catolicismo, ela não perdeu a catolicidade?

    Abraços, flores, estrelas..

     
  • At 19 de março de 2008 19:22, Anonymous Roger said…

    Parece que todos nós, blogueiros afins, temos uma birra com a instituição.
    Jesus também não se deu muito bem com ela...

    Abrçs

     
  • At 19 de março de 2008 22:41, Blogger Alysson Amorim said…

    Acho que Novalis era quem sonhava com um cristianismo revitalizado, construído "sobre as ruínas do papado e do protestantismo sectário".

    Seu post esboça em uma síntese admirável (mormente pra quem se julga prolixo) a via que parece-me adequada para concretizarmos o sonho de Novalis.

    Onde o cetro está armado, a brisa encontra dificuldades pra soprar.

    Abraços fraternais

     

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